segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Cães sabem distinguir o certo do errado?


Quem tem cachorro sabe: quando eles fazem o que não devem, como revirar o lixo ou comer sapatos e são flagrados, se denunciam com aquela carinha de travessura.

Segundo estudos recentes, é bem provável que os cães tenham como característica evolucionária o senso de justiça, e discriminem o certo do errado.“As pessoas têm a tendência de fazer uma rígida divisão entre humanos e não-humanos”, diz Marc Bekoff, professor emérito de ecologia e biologia evolutiva da Universidade de Colorado e co-fundador do Etólogos para um Tratamento Ético aos Animais, “mas há muitas evidências de que os animais tenham senso de moralidade”, diz o etologista.

Lobos e coiotes

Bekoff afirma que a moral evoluiu como um traço característico nos mamíferos, e baseou sua tese na observação de lobos e coiotes.
Esses canídeos vivem em grupos governados por rigorosas regras. O pesquisador observou atos de altruísmo, tolerância, perdão, reciprocidade e justiça, que se evidenciavam no modo como brincavam entre si.

Os canídeos aprendem códigos sociais de conduta quando ainda são jovens, através de jogos. Quando vão brincar, eles se deitam com a barriga para cima, numa posição submissa. Durante a brincadeira, os membros mais fortes se revezam com os mais fracos na posição dominante, dando a estes a chance de "ganharem" o jogo.

Também mordem com menos força de modo a não machucar o parceiro. Se um deles morde, acidentalmente, com mais força, pede "desculpas", deitando-se, como se quisesse dizer que aquilo não passa de uma brincadeira.

Cães

Os cachorros vieram dos lobos, e deles, herdaram o sentimento de justiça. “Eles têm a capacidade de diferenciar o certo do errado; é possível observar isso quando vemos um cão chamando outro para brincar num parque”, diz o cientista. E, ainda que haja uma disparidade entre a força e o tamanho dos cachorros, o maior saberá adaptar-se a essa condição. Ele sabe que seria injusto tirar vantagem da situação.

Experimentos na Universidade de Viena também mostraram que cães ficam chateados com um tratamento injusto por parte dos humanos. Na pesquisa, os animais ficavam felizes em fazer truques, como dar a patinha, mas não receber recompensa em troca.

Mas o entusiasmo deles diminuía quando viam que outros recebiam comida depois de fazer os truques. Os cães preteridos mostravam sinais de angústia e estresse, como latir ou grunhir. Os pesquisadores afirmam que eles ficavam chateados por ter sido tratados injustamente.

A moral dos animais é um assunto complexo, e mais pesquisas são necessárias para se saber quando e de que forma ela se manifesta. "O pouco que nós sabemos sobre o comportamento dos animais nos leva a concluir que eles são muito mais desenvolvidos do que pensávamos ou que julgávamos", analisa Bekoff.

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